Sem dúvida, Markus Zusak inovou ao colocar a Morte como narradora de seu romance “A Menina que Roubava Livros”. A tão temida figura presente em filmes de terror, livros macabros e em seus sonhos mais terríveis saí de sua imaginação para a sua mesa de cabeceira.
Em um contexto político em que as palavras são de extrema importância e o principal instrumento de dominação, Liesel as conhece e se apaixona.
Nos momentos mais difíceis de sua vida, a garota procura nos livros, roubados, a força que precisa para transpor obstáculos.
Durante a narrativa o leitor é lembrado de que não se trata de um simples narrador. Frases como “(...) a guerra começou e minha carga de trabalho aumentou” e “O cemitério me acolheu como uma amiga (...)” te fazem lembrar de quem está diante de você.
Lições de amizade e companheirismo são o toque final do romance que traz entre outros tipos de amores o paterno e o fraternal. Apesar da carga de tristeza, o leitor poderá até se emocionar, porém, a história não se aproxima em nenhum momento dos comuns romances água-com-açúcar que lotam as livrarias, mas que não podem ser considerados literaturas e sim entretenimento. A luta pelo sustento em um país dominado pela crise, a força dos judeus tidos como inimigos em sua pátria e da garota que em tantos momentos teve, além dos livros, a Morte como companheira.
Apesar da história se passar numa época distante de nós é contemporânea no que diz respeito à inovação. Uma ótima leitura para quem gosta de literatura de qualidade.
“Já faz muitos anos desde aquilo tudo, mas ainda há muito trabalho a fazer. Posso lhe jurar que o mundo é uma fábrica. O sol a movimenta, os humanos a dirigem. E eu permaneço. Levo-os embora”, finaliza a narradora.

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