segunda-feira, 14 de julho de 2008

Polícia despreparada faz mais uma vítima

Mais um crime envolvendo uma criança chocou o país. Dessa vez, a vida foi tirada justamente pelo profissional que mais deveria zelar pela integridade física dos cidadãos comuns: o policial.

O garoto João Roberto (mais um João vítima da violência carioca) de apenas 3 anos foi assassinado no carro da família. Os policiais confundiram o veículo com o dos criminosos (que escaparam ilesos).

O carro da mãe de João era um Palio Weekend. O dos fugitivos, um Fiat Stilo. Os assassinos foram indiciados por homicídio doloso qualificado.

Esse é mais um dos casos que deixa claro o despreparo desses “profissionais”.

O mesmo noticiário que informou a morte do garoto trouxe mais três notícias de outros crimes envolvendo policiais. É de tremer de medo e indignação.

O governador Sérgio Cabral anunciou cursos dados pelo Batalhão de Operações Especiais (o Bope) para os policiais que atuam nas ruas. Mas o despreparo de homens como William e Elias (assassinos do garoto) não se restringe à falta de técnica e treinamento. O despreparo é, sobretudo, psicológico. E isso nem o capitão Nascimento pode resolver...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A nova de Chávez

Ao contrário do protagonista do seriado Chaves, o presidente da Venezuela sempre traz um episódio novo.

A nova de Chávez é a criação de um sistema de inteligência que torna a delação obrigatória. Todo cidadão é obrigado a colaborar com os espiões do governo. Quem não o fizer pode ser condenado a até seis anos de prisão.

A medida compromete ainda mais o que Chávez insiste em chamar de democracia. Essa rede de espionagem tem como objetivo identificar os cidadãos descontentes e abafar possíveis movimentos sociais contra o governo.

É de se estranhar, ou preocupar, que muitos governos vinculem a imagem de seus países (que tanto lutaram para conquistar a democracia) a governos como esse. E pior: não poupam elogios para esse Chávez que, infelizmente, também é um campeão de audiência.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ajuda tardia

Mianmar foi atingido na madrugada do dia 2 por um violento ciclone, nomeado de Nargis. As conseqüências que os ventos de 190 quilômetros por hora trouxeram ao país são estarrecedoras. Nos dias posteriores ao ciclone as estimativas da ONU falavam em 100 000 mortos e 1,5 milhão de desabrigados, hoje, são estimadas 2,5 milhões de vítimas.

Como se não bastasse a angústia da perda de familiares e de suas casas, a população ainda sofreu com a má vontade de um regime autoritário e avesso a qualquer tipo de interferência internacional, mesmo que essa significasse a salvação de centenas de vidas.

Expostos ao risco de contaminação, com fome e sede os sobreviventes esperavam que as negociações enfim trouxessem ajuda humanitária. A resistência foi tão grande que a própria ONU chegou a suspender o envio de alimentos porque o Exército apreendeu os primeiros carregamentos e não distribuiu a comida. Diante de atitudes como essa não é de se estranhar que o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, tenha falado em ajuda humanitária forçada.

A espera por ajuda acabou somente hoje (21 dias após a catástrofe) quando a Junta Militar de Mianmar foi convencida pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a aceitar a entrada de voluntários estrangeiros no país.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Vestibulares preparam lista de livros

Todo ano, vestibulares como os da Fuvest e Unicamp divulgam a lista de leitura obrigatória para quem vai participar das provas. Da relação constam livros da literatura clás­sica nacional e internacional.

Para muitos professores de língua portuguesa essa cobrança se faz necessária, pois a maioria dos alunos não tem hábito de ler. “Não gosto muito da idéia das listas obrigatórias. O ideal seria que os alunos lessem espontaneamente”, disse o professor de português do curso Objetivo Ícaro Luís Fracarolli Vila.

Outros mestres avaliam que a cobrança pode ser prejudicial para a formação de leitores. “Nem sempre colabora, pois se trata de algo pontual, de uma prova. Dessa forma, por vezes, o vestibular mais afasta do que aproxima os alunos da literatura”, afirmou o professor Ademir Barbosa Júnior, autor do livro “Segredos para o Vestibu­lando - do CDF ao ZEN”.

Mas Barbosa Júnior concorda que para alguns o resultado é muito positivo. “De qualquer ma­neira, existem boas descobertas feitas por esses estudantes. Alguns continuam a se aprofundar em determinados autores e tornam-se realmente leitores”.

Daniel da Silva Gomes, 17, é aluno do Cursinho Etapa e estuda para o vestibular de engenharia da USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas. Afirmou que leu os livros exigidos durante o ensino médio. “A maioria dos meus amigos tem opinião semelhante a minha, mas conheço pessoas que apreciam as obras e buscam ler outros livros dos mesmos autores”.

Já Paula Gea Zamp­ieri,18, não está preocu­pada com a lista da USP, em­bora ten­ha lido al­guns dos livros durante o ensino médio. Aluna do cursinho CPV, Paula prestará administração na FGV (Fundação Getúlio Vargas) e no Ibmec (Instituto Brasileiro de Mer­cado de Capitais). Para isso, tem lido os livros indicados por essas instituições. “No cursinho estamos lendo Gilberto Freyre, Caio Prado Jr. e Sérgio Buarque de Holanda”, afirmou.

A escolha dos livros que con­starão dos vestibulares também gera controvérsias. Os professores consideram boa a seleção. Afir­mam que nas listas está conden­sado o melhor da literatura. “É uma feliz coincidência. Apesar de ser obrigatória, os alunos têm acesso ao melhor da literatura”, disse o professor de português do curso Anglo Samuel da Silva.

Já a vestibulanda Paula acha que a lista deveria ser escolhida de acordo com cada curso. “Cada vestibular deveria cobrar assuntos pertinentes ao próprio curso que o aluno vai prestar. Com certeza eu iria banir livros como “Iracema” e lotaria o vestibular de Machado de Assis”, disse.

Muitos alunos consideram os livros cansativos. Por isso recor­rem a resumos encontrados na internet e nos próprios cursinhos e colégios. “Apesar de todo o es­forço dos professores, a maioria procura os resumos. Além disso, a globalização e o sistema educa­cional fizeram com que o gosto pela leitura diminuísse. Ler exige tempo. Por isso os alunos preferem os resumos que oferecem uma sín­tese do enredo, deixando de lado toda a beleza estética do texto”, afirmou o professor Ícaro.

O professor afirma ainda que as próprias provas permitem que os alunos recorram aos resumos. “Os vestibulares são culpados, pois preocupam-se em cobrar apenas o plano da história, deixando de lado o estético. Se o plano estético fosse cobrado, os alunos não teriam como deixar de ler as obras”.


*A matéria foi escrita para o Jornal Rudge Ramos

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Eu escrevo cartas, e daí?

Com o advento da internet, o ato de escrever cartas deixou de ser hábito de grande parte da população. Porém ainda há pessoas que valorizam o encantamento da carta, composta por detalhes como um adesivo, uma cor de caneta diferente, um selo colorido ou um papel perfumado. É o caso de Doroti Francisca Rocco, psicóloga há dez anos, que prefere não divulgar a idade.

Nas horas vagas, Doroti fica dividida entre suas duas grandes paixões: a de fazer parte de um emaranhado de pessoas lotando as salas de cinema e a do prazer de escrever cartas. Mas, mesmo quando prefere assistir a um filme, Doroti não deixa de levar um bloquinho de papel e uma caneta para o caso de decidir escrever um bilhete.

“Eu sinto o carinho e o amor de quem escreveu a carta. No e-mail, não percebo tanta emoção. Sinto algo mais frio”, afirmou Doroti, que vai mais longe dizendo que o afeto ultrapassa a escrita da carta. “Até o prazer de ir à caixinha de correspondência ver se chegou algo é diferente do que ligar o computador e ver se você recebeu um e-mail. O ideal seria conciliar as duas coisas, o e-mail e o hábito de escrever cartas”.

Ao falar de seu hábito favorito, a psicóloga lembra do avô que gostava muito de escrever cartas e poesias e a incentivava. “Quando criança, ficava observando e foi assim que adquiri esse hábito e nunca mais parei”.

A psicóloga não é a única a cultivar esse hábito de escrever usando caneta e papel. O advogado Amadeu Armentano Neto, 58, também conserva com carinho sua caneta tinteiro e escreve com freqüência para familiares e amigos que moram perto ou longe. “A correspondência manuscrita permite uma maior proximidade e colocação. Você consegue transmitir as suas vibrações para o papel. A carta transmite o calor humano que o e-mail não consegue”, disse Armentano.

Na linguagem usada nas cartas dificilmente nota-se qualquer sinal gráfico ou abreviação, típicos da internet. “As pessoas trocam mensagens via e-mail de maneira abreviada e absolutamente inconseqüente. Isso para mim é um atalho que leva a lugar nenhum”, declarou o advogado.

Armentano também afirma incentivar seus filhos: “Em casa é quase uma tradição de família os pais deixarem uma carta para os filhos sempre que haja necessidade”.

Tanto a psicóloga quanto o advogado avaliam que o ato de escrever uma carta não irá acabar. Aconselham jovens e adultos a retomarem esse prazeroso hábito que, com o surgimento da tecnologia, foi deixado de lado. Para quem justifica com a correria do dia-a-dia o hábito de enviar e-mails, Doroti deixa seu recado: “Para quem gosta de escrever, sempre há um tempinho”.


*A matéria foi feita para o Jornal Rudge Ramos em parceria com a repórter Kelly Santos.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Português versus Internetês

Depois do português e do inglês, parece que chegou a vez do “internetês”, e para ficar. Desde a chegada da internet ao Brasil, em 1991, seus usuários passaram a usar códigos específicos para se comunicar. Esse usuário ganhou até um nome: internauta.

Essa comunidade passou a usar expressões e até sinais particulares como forma de transmitir um recado, via e-mail, por exemplo.

Recheado de abreviações, símbolos e expressões feitas a partir da união de teclas, esse modo de conversar contagiou os internautas e configurou uma maneira bem diferente de se comunicar.

Muitas vezes, quem está por fora desse meio fica sem entender o significado de alguns termos. Mas quem está acostumado a esse novo linguajar diz que isso permite a velocidade da comunicação.

É o caso do estudante do ensino fundamental William Maximiano, 13. “Fico na internet três horas por dia. Falando desse jeito (usando sinais e símbolos), converso mais rápido e todo mundo me entende”, relatou.

Mas tamanha mudança pode trazer alguns problemas. O internetês ainda não é aceito como linguagem formal e pode trazer complicações gramaticais. “Você”, na internet, virou simplesmente “vc”. O “não”, em vez de ficar abreviado, acabou se transformando em “naum”.

A auxiliar administrativa Roseane da Silva Vieira adota essa linguagem, mas admite que, em e-mails de caráter profissional, usa o corretor ortográfico do computador para eliminar essa “nova linguagem”. “Uso a verificação e quase sempre encontro erros por conta dessa linguagem, que é prática mas perigosa”, disse a profissional.

O internetês também causa polêmica entre lingüistas, pais e professores. Alguns consideram um retrocesso da Língua Portuguesa. Outros afirmam que variações na língua ocorrem de acordo com o período de transformações tecnológicas na sociedade.

“O internetês é mais uma variação da linguagem que nasceu para acompanhar uma tecnologia. Quando surgiu o telégrafo, uma linguagem foi criada para acompanhá-lo. Não há motivos para alarmismo”, afirmou o professor de português do Curso Anglo Eduardo Antônio Lopes.

O lingüista Marcos Bagno, autor de “Preconceito Lingüístico, o que é, como se faz” (Editora Loyola), também não considera essa variação na comunicação um retrocesso da língua. “É mera questão ortográfica. Há centenas de anos, os anúncios classificados nos jornais usam abreviaturas e ninguém nunca chamou isso de "classificadês". Em ambos os casos se economiza alguma coisa. Na internet, se economiza tempo; nos anúncios, se economiza dinheiro”, explicou.

O livro de Bagno fala inclusive sobre o fato não existir uma forma apenas de falar a língua portuguesa, e que isso depende de vários fatores, inclusive regionais.

O professor Lopes, do Anglo, lembra ainda que a linguagem telegráfica influenciou muitas vanguardas européias e, posteriormente, brasileiras. O próprio escritor Oswald de Andrade valeu-se dos termos telegráficos em seus poemas.

Mas quando o internetês deixa os limites da rede e chega às salas de aula, começa a polêmica. Crianças e adolescentes passam tanto tempo em frente aos computadores, escrevendo de forma abreviada e usando sinais gráficos para demonstrarem seu estado de ânimo, que, ao desligarem a máquina, já não conseguem usar a norma culta da língua.

A professora de português do Colégio e curso Objetivo Maria de Lourdes da Conceição, a “Lu”, nota a presença da internet nas redações escolares. “Os vícios da internet são transferidos para a escrita formal. Cabe ao professor alertar, a partir da correção, que há um momento específico para se usar o internetês”.

Segundo a mestra, não há um modo de evitar o uso dessa linguagem. “Se fosse possível impedir a alteração da linguagem, ainda falaríamos latim, ou soltaríamos grunhidos dos homens da caverna. Claro que, em muitos casos, o internetês até parece uma linguagem pré-histórica, ‘naum axa’?”, brincou.

Bagno concorda com a tese da professora do Objetivo e reforça que a internet propiciou ao jovens um contato maior com a escrita. “Os professores devem estimular esse uso, porque nunca antes na história as crianças e adolescentes escreveram tanto”.

O professor Lopes defende inclusive que a linguagem da internet é mais pedagógica que a ensinada nas salas de aula, já que é absorvida com mais rapidez pelos alunos. Segundo o especialista, isso deve servir de reflexão para os professores de línguas.


* O texto foi escrito para o Jornal Rudge Ramos em parceria com Graziele Storani.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Funk no busão

Sempre fui muito curiosa. Desde criança. Faziam mil perguntas para meus pais. Quando aprendi a ler minha cabeça lotou de pontinhos de interrogação e minha mania de ler tudo começou. Lia tudo a minha volta. Papel de bala, cartazes na rua (naquele tempo eles ainda existiam), outdoors (Que Deus os tenha!), placa de vende-se e aluga-se, rótulo de shampoo. Nessas minhas nada seletivas leituras elaborava perguntas do tipo: O que é troca-se de óleo? E passe-se o ponto? Por que no ônibus está escrito ‘proibido o uso de aparelhos sonoros’?

Essa última pergunta, feita ao meu pai, foi respondida prontamente: “Para que ninguém ligue seu radinho Milton Neves e atrapalhe a viagem dos outros”. Mesmo com o pouco conhecimento de respeito e limites que tinha na época, achei uma resposta satisfatória e uma proibição relevante e observava que as pessoas a respeitavam.

Porém, hoje, não é isso que noto. As pessoas parecem querer mostrar o poder do rádio de seus celulares logo às 6h00 da matina. Todos os dias, sem exceção, presencio a mesma intrigante e até odiosa cena: pessoas de todas as idades tiram de seus bolsos seus celulares com potências maiores que de radinhos Milton Neves e sem qualquer respeito compartilha com todos seu ritmo de música preferido.

Se tiver um amigo ao lado o barulho é mais perturbador. Cada um quer mostrar suas músicas e toques de celulares. Não é mais possível meditar, ler um livro, cochilar sem ser perturbado por sinais sonoros de gosto duvidoso. E a plaquinha avisando a proibição desses aparelhos? Continua lá, esquecida, como a maioria das leis.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Erros e acertos na ótica da ética

A Veja da semana passada (edição 2052) trouxe em suas páginas amarelas uma entrevista com Marcílio Marques Moreira, ex-presidente da Comissão de Ética do governo Lula. Na entrevista, Moreira não critica diretamente o governo Lula, mas comenta a falta de ética dos ocupantes do Palácio do Planalto. “O presidente não é sujeito à competência da comissão, não dá para fazer considerações sobre ele. Mas posso dizer que a falta de sensibilidade ética é algo que permeia todo o antiplano do governo”.

A corrupção e os escândalos envolvendo o presidente também apareceram em vários momentos da entrevista. Ao ser questionado se a corrupção aumentou ou não no governo Lula, Moreira levantou a questão das expectativas e das promessas feitas pelo PT que não foram cumpridas. “(...) as expectativas éticas sobre esse governo eram muito grandes. O PT sempre foi muito identificado com o combate à corrupção e no poder deixou a desejar nesse aspecto”, completou.

O governo Lula ao manter (ou aumentar, como muitos acreditam) a corrupção no país e não punir os envolvidos pelo crime que cometeram a seus eleitores que confiaram em seu nome a representação de seus interesses, decepcionou toda a sociedade brasileira, até mesmo a parcela que já não acreditava em grandes evoluções de ética em Brasília.

Ao comentar a política externa, Marinho apontou as falhas do governo ao esquecer-se da parte norte do globo e priorizar o apoio a governos nem sempre comprometidos com a democracia.

O comentário final foi sobre um dos principais motivos da popularidade do presidente: a bem sucedida economia. “O sucesso da economia é a confirmação de que, quando uma meta é perseguida como política de estado, sem pecuinhas partidárias, ela produz excelentes resultados. O governo Lula deu continuidade a essa estrutura. Foi um dos seus principais acertos”, finaliza Moreira.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pecados Globais

Não é de hoje que a questão da poluição da Terra toma conta do cenário político- internacional. O protocolo de Kyoto, acordo internacional que objetiva a redução de gases poluentes, é só mais um dos exemplos de projetos que deram pouco ou nenhum resultado. Isso porque os maiores emissores de gases-estufa insistem em não ceder às taxas de redução alegando uma perda significativa dos lucros arrecadados nas indústrias.

Além disso, os governantes não estão dispostos a cuidar das riquezas naturais de seus próprios países e não fazem questão nenhuma de esconder essa escolha. Um exemplo recente disso foi a declaração polêmica do presidente Lula a respeito do constante e cada vez mais preocupante desmatamento da Amazônia: 'O que aconteceu, na minha opinião, eu não sou comunicador, posso estar errado... você vai no médico detectar por que você está com um tumorzinho aqui, e ao invés de fazer biópsia e saber como vai tratar, você já saiu dizendo que estava com câncer”.

A declaração vinda da boca do presidente que, por muitas vezes criticou o não cumprimento do Protocolo de Kyoto, é contraditória. “O dado verdadeiro é que o Protocolo de Kyoto não pode ser uma peça de ficção. É muito fácil assinar documentos e esquecer na gaveta”, disse. Além de suas críticas, o que o presidente também esqueceu é o fato de que apesar da maior parte da Amazônia situar-se no Brasil, sua destruição não afeta somente o país.

Deixando de lado Lula e seu “tumorzinho” e falando das novidades que envolvem as questões ambientais. O Vaticano resolveu incluir a poluição na nova lista de pecados. A medida visa atingir os fiéis que ainda temem os castigos divinos e mostrar que a igreja católica está se modernizando e preocupando-se com fatos novos e de amplitude global.

Entre os “novos pecados” estão também as questões da bioética. “(Dentro da bioética) há áreas onde devemos absolutamente denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, por meio de experiências e da manipulação genética, cujos resultados são difíceis de prever e controlar', afirmou o arcebispo Gianfranco Girotti em entrevista dada ao L'Osservatore Romano (órgão oficial do Vaticano).

Desde o pontificado de João Paulo II, o Vaticano tem adotado medidas pró- meio ambiente. Além de promover uma conferência para discutir os problemas do aquecimento ambiental e das mudanças climáticas, o vaticano também instalou células fotovoltaicas em seus prédios para gerar eletricidade.
Em tempos em que os danos ambientais devem ser preocupações de todos é louvável as medidas adotadas pelo Vaticano, porém os representantes da fé católica ainda têm muito a alcançarem no quesito modernização, principalmente, no que envolve as pesquisas das células-troncos.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Mais um discurso?

José Eduardo Cardozo assumiu a secretaria-geral do PT recentemente. Ocupando o segundo posto mais alto do partido, o petista, em entrevista dada a Veja, mostra-se consciente dos problemas e dos escândalos envolvendo o PT e afirma só ter assumido o cargo com o compromisso de “defender a instituição do código de ética, o resgate da democracia partidária e a depuração ética do partido”.

Na mesma entrevista, o ex-integrante da CPI dos Correios deu sua opinião a respeito do mensalão. “Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade”.

Cardozo compartilha ou pelo menos diz compartilhar do mesmo sentimento de justiça do povo brasileiro que assistiu boquiaberto a uma série de escândalos. Ao contrário de muitos petistas, Cardozo não se mostra cúmplice e nem omisso às acusações que rondam o governo e seus aliados: “qualquer desvio ético que um petista cometa tem de ser rigorosamente punido”.

Discursos são sempre bonitos e rodeados de promessas, resta saber se essa honestidade e vigilância serão cumpridas por Cardozo ou se não passam de palavras de alguém que se vê como um futuro candidato à prefeitura de São Paulo, como afirmou já no fim da entrevista.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

“Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler”


Sem dúvida, Markus Zusak inovou ao colocar a Morte como narradora de seu romance “A Menina que Roubava Livros”. A tão temida figura presente em filmes de terror, livros macabros e em seus sonhos mais terríveis saí de sua imaginação para a sua mesa de cabeceira.

São mais de 400 páginas em que são contadas as aventuras e desventuras de Liesel. O cenário da história é a Alemanha nazista.

Em um contexto político em que as palavras são de extrema importância e o principal instrumento de dominação, Liesel as conhece e se apaixona.

Nos momentos mais difíceis de sua vida, a garota procura nos livros, roubados, a força que precisa para transpor obstáculos.

Durante a narrativa o leitor é lembrado de que não se trata de um simples narrador. Frases como “(...) a guerra começou e minha carga de trabalho aumentou” e “O cemitério me acolheu como uma amiga (...)” te fazem lembrar de quem está diante de você.

Lições de amizade e companheirismo são o toque final do romance que traz entre outros tipos de amores o paterno e o fraternal. Apesar da carga de tristeza, o leitor poderá até se emocionar, porém, a história não se aproxima em nenhum momento dos comuns romances água-com-açúcar que lotam as livrarias, mas que não podem ser considerados literaturas e sim entretenimento. A luta pelo sustento em um país dominado pela crise, a força dos judeus tidos como inimigos em sua pátria e da garota que em tantos momentos teve, além dos livros, a Morte como companheira.

Apesar da história se passar numa época distante de nós é contemporânea no que diz respeito à inovação. Uma ótima leitura para quem gosta de literatura de qualidade.

“Já faz muitos anos desde aquilo tudo, mas ainda há muito trabalho a fazer. Posso lhe jurar que o mundo é uma fábrica. O sol a movimenta, os humanos a dirigem. E eu permaneço. Levo-os embora”, finaliza a narradora.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cidadania na Rede

O brutal assassinato do menino João Hélio em fevereiro de 2007 é lembrado como o crime que chocou todo o país. Porém, não foi isso que notei nas vésperas do aniversário de um ano da morte do garoto.

Recebi em minha página de recados no site de relacionamentos, orkut, um pedido de ajuda de uma prima minha. No recado, ela pedia que seus amigos denunciassem uma comunidade que brincava e sugeria as maiores atrocidades ao garoto João Hélio.

Para os criadores e para os mais de 3000 internautas membros da comunidade o assassinato do garoto, arrastado por 7km nas ruas do Rio de Janeiro, não passava de um fato banal tratado com tanta, ou maior crueldade que os próprios assassinos de João Hélio.

Na ocasião do assassinato muitos se perguntaram quem teria tanta maldade para cometer um crime tão brutal. Eu também me perguntei. Hoje, vejo que qualquer um dos integrantes dessa comunidade, que usam o orkut como um meio propagador do ódio, poderia ser o assassino de João Hélio.

Apesar de usuária desse site de relacionamentos sempre tive minhas críticas sobre a falta de segurança e privacidade. Mas, acho que é possível usá-lo como um meio de comunicação entre amigos e como um meio de discussão saudável de temas polêmicos como poderia ter sido nesse caso. Há vários temas associados à morte do garoto que poderia ser abordado nesse site de e que não são debatidos com tanto afinco. No entanto, 3000 pessoas perdem o seu tempo e usam de toda sua falta de respeito aos familiares e pessoas que se impressionaram com mais esse crime.

Usei parte do meu tempo numa pequena campanha de denúncia dessa comunidade, que saiu do ar no dia seguinte. Tenho certeza que nem o meu nem o tempo de quem denunciou a comunidade foi perdido. Imagino que essa não deve ser a única comunidade aberta no orkut que usa toda a ironia e criatividade de seus integrantes para disseminar a maldade. Entretanto, todas as que chegarem ao meu conhecimento serão denunciadas. Não me sinto e nem me permito ser cúmplice da falta de cidadania que muitas vezes rondam esse site. Navegar com cidadania é possível.