terça-feira, 1 de abril de 2008

Funk no busão

Sempre fui muito curiosa. Desde criança. Faziam mil perguntas para meus pais. Quando aprendi a ler minha cabeça lotou de pontinhos de interrogação e minha mania de ler tudo começou. Lia tudo a minha volta. Papel de bala, cartazes na rua (naquele tempo eles ainda existiam), outdoors (Que Deus os tenha!), placa de vende-se e aluga-se, rótulo de shampoo. Nessas minhas nada seletivas leituras elaborava perguntas do tipo: O que é troca-se de óleo? E passe-se o ponto? Por que no ônibus está escrito ‘proibido o uso de aparelhos sonoros’?

Essa última pergunta, feita ao meu pai, foi respondida prontamente: “Para que ninguém ligue seu radinho Milton Neves e atrapalhe a viagem dos outros”. Mesmo com o pouco conhecimento de respeito e limites que tinha na época, achei uma resposta satisfatória e uma proibição relevante e observava que as pessoas a respeitavam.

Porém, hoje, não é isso que noto. As pessoas parecem querer mostrar o poder do rádio de seus celulares logo às 6h00 da matina. Todos os dias, sem exceção, presencio a mesma intrigante e até odiosa cena: pessoas de todas as idades tiram de seus bolsos seus celulares com potências maiores que de radinhos Milton Neves e sem qualquer respeito compartilha com todos seu ritmo de música preferido.

Se tiver um amigo ao lado o barulho é mais perturbador. Cada um quer mostrar suas músicas e toques de celulares. Não é mais possível meditar, ler um livro, cochilar sem ser perturbado por sinais sonoros de gosto duvidoso. E a plaquinha avisando a proibição desses aparelhos? Continua lá, esquecida, como a maioria das leis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário